sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Você conhece esse lugar? Então, leia!!!!

AGNELÂNDIA: Que lugar é esse?
Xiko Mendes
(Da Academia Planaltinense de Letras e da Associação Nacional de Escritores).

Sou uma pessoa que não vive em lugar onde a Cultura e a Educação são desvalorizadas ou onde a liberdade é sufocada pelo oportunismo, pelo jeitinho de querer levar vantagem em tudo. Só fico feliz se ver crianças sendo bem educadas e onde cineastas, artistas de circo, escritores, atores, professores, cientistas, pintores, artistas de rua se sintam felizes. Preciso estar em lugares onde pulsa a alma do povo. Por isso é que mudei para LISÁBRIA, capital de um estranho país tropical chamado LISARB, que Stephan Zweig já chamou de País do Futuro.

Em Lisábria fui morar primeiro na vila RORIZÍNIA. Mas não gostei. As escolas eram de lata. O lanche era feijão com farinha. Para manipular os pobres, o governo dava a eles leite e pão todos os dias como uma espécie de ração a conta gotas. A cultura era só para os ricos. No Grande Teatro de Lisábria várias atividades artísticas eram apresentadas às elites, que pagavam ingressos altíssimos. Um coronel controlava Lisábria nessa época, pois entendia que a cidade era um espólio de seus antepassados, antes donos de terras por ali quando a Capital foi construída por um ilustre descendente de João Nepomuceno, vindo da Boêmia, na extinta Tchecoslováquia.
Depois mudei de bairro. Fui morar na CRISTOVÂNIA quando um governante intelectual assumiu o Poder. Melhorou um pouco o ensino, mas ele fazia mais propaganda que o que de fato fazia para os mais humildes. Inventava projetos demais e se enrolava na realização deles. Professores fizeram greves e fracassaram. Inventaram uma tal de Escola Calanga, que também não deu certo. A cultura até avançou, mas não chegou nas favelas e nos lugares subterrâneos onde a alma humana se espreme nos becos para gritar a voz dos oprimidos contra o espírito subserviente da humanidade.

Mudei de novo pra vila Rorizínia. Aí “o bicho pegou”. Os assentamentos improvisados da época anterior se tornaram cidades cheias de gente sem emprego, sem saneamento, sem infraestrutura. Aumentou a violência e falta policiamento. Aumentou o povo e faltam hospitais que prestam. Nessa época, o novo governante de Lisábria mudou a denominação do meu bairro: passou a se chamar ARRUDÂNIA. Como era um homem de fé na corrupção, fé nas trapaças, logo ele tomou milhões em empréstimos internacionais, aumentou a dívida do Governo e melhorou a estrutura das periferias para se reeleger. Mas meteu a mão nos empréstimos e foi parar na cadeia. Foi preso na Cadeia de Pandora e, após muitas “orações da propina”, conseguiu ser solto. Seu governo esfacelou-se e parte de seus aliados foi pro outro lado. Estão procurando casa pra alugar no bairro Agnelândia. Será que vão ceder casa pra eles?
Revoltado, mudei de bairro. Agora estou morando na AGNELÂNDIA, mas estou com medo. Esse é um bairro novo, um lugar sedutor, cheio de promessas que ainda não se realizaram. Em todos os bairros onde morei aqui em Lisábria, Cultura e Educação nunca foram prioridades. Mas o novo governante dessa cidade-capital informa que agora vai priorizar a Educação e a valorização das artes e das ciências. Eu não acredito, pois há vinte anos sou um dos que lutam pela construção de uma CASA DE CULTURA. Infelizmente já mudei de bairro várias vezes como você observa e esse centro cultural ainda não foi edificado. Já saiu até verba, mas roubaram.
Agnelândia é um lugar cujo governo é um colchão de retalhos: tem político corrupto que migrou do bairro Arrudânia e do bairro Rorizínia; tem políticos éticos que antes eram meus vizinhos na vila Cristovânia. Vamos apostar que dessa vez a Ética derrote a INÉPCIA, pois o novo governante parece ser um homem simples, humilde e cheio de boa vontade em querer transformar nossa dramática situação. Leite, pão, lote de graça, kit invasão, condomínios irregulares, transporte pirata, frota de ônibus poluentes e caindo aos pedaços, endividamento público crescente, servidores públicos com salários achatados... Esse é o quadro social de Lisábria.
Será que tenho outra vez de mudar de bairro daqui a quatro anos? Mas prometo que não vou residir mais em Rorizínia, Arrudânia... São bairros decadentes onde a especulação imobiliária praticada pela empresa “Luizosório & Paulo” encareceu a moradia. Uma coisa eu lhe garanto: com casa ou sem CASA DE CULTURA eu não vou morar em Filipelândia. Na Copa de 2014, no jogo que ocorrerá em Lisábria, vou assisti-lo em outro lugar caso aqui, em Agnelândia, CULTURA e EDUCAÇÃO não se tornarem prioridades de governo. É ver pra crer, não é Dona Ilma Louzefa?


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