quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

HOMENAGEM AOS 200 ANOS DA HISTÓRIA DE PLANALTINA-DF.

Palavras do Mestre
(d’Armas – Fundador de Planaltina/DF)


Homenagem ao aniversário de Planaltina pela criação do Distrito de São Sebastião de Mestre d’Armas, anexo ao município de Formosa da Imperatriz – GO, pela
Lei Provincial nº: 03, de 19 de agosto de 1859.
Xiko Mendes

I – Origem: Fim do Século XVIII.

Quando aqui cheguei tudo era mato.
E Goiás vivia a crise da mineração.
Instalei-me nessas terras de planalto
Disputando-as com índios do sertão.

Como aqui era um trevo de contato
Entre as vias régias de comunicação,
Instalei oficina à beira de um regato
Que agora mudaria sua denominação
Para Mestre d’Armas devido ao fato
De esta ser minha humilde profissão.

Foi no século XVIII, já bem no final,
Décadas de 70, 80; lembro de memória
Quando houve a Fundação do Arraial
Que, depois, entraria para a História
Como matriz do futuro Distrito Federal.

Com o tempo foi crescendo a população.
De todo lugar vinha gente que se desiludia
Com o Garimpo. E aí? Surgiu a devoção
Que salvou o Povoado de uma epidemia!

Os sobreviventes, felizes, bateram palmas
Mudando nosso nome lá em Santa Luzia
Para São Sebastião de Mestre d’Armas!

II – Anulação, Recriação do Distrito, Emancipação: 1834, 1859, 1892.

Depois deste episódio fúnebre, maldito,
Queríamos ser transformados em vila.
Não sendo, contentamos em ser Distrito
Em 1834 e, logo depois, essa prerrogativa
Foi anulada pelo Governo do Município!

Mas emanciparam Formosa da Imperatriz.
E em 19/8/1859 veio a decisão definitiva:
Nos anexaram a ela como Distrito e, feliz,
Eu confesso que daí em diante... Viva !!!
Tudo mudou na Terra do Mestre d’Armas!

Em 1892 nos transformaram em CIDADE
E o desenvolvimento agora nos conduz
Às páginas épicas da Nacionalidade
Recepcionando nesta Vila a Missão Cruls
Conforme nossos princípios de hospitalidade!

III – Após Emancipação, a Espera por Brasília: 1922 – 1960.

Em 1910 troquei de nome; me rebatizaram
De ALTAMIR; e em 1917, de PLANALTINA.
Passados mais cincos anos, veio o Centenário
Do Brasil Independente do Reino de Portugal.
E, para homenageá-lo, nos escolheram como cenário
Instalando aqui o monumento da Pedra Fundamental,
Que seria o ponto de partida contra o Mito do Atraso,
Sonhando agora com a Transferência da Capital!!

Enquanto este sonho continuava distante,
Mais outras Comissões com estes homens notórios:
Caiado de Castro, Poli Coelho e Pessoa Cavalcanti
Vieram aqui e fizeram mais outros relatórios.
E Goiás, num ato histórico e relevante,
Desapropriou e cedeu nosso território
Para que a Nova Capital fosse feita o quanto antes.

A empresa Donald Belcher escolhe o Sítio Castanho
Fixando, oficialmente, o melhor ponto de referência
Para que neste espaço delimitado em tamanho
Fosse construída a Cidade pela Presidência!

Neste meio tempo fomos, lentamente, evoluindo.
Planaltina ganhou nova escola com Magistério.
Foi instalada a Comarca e um novo caminho
Parecia se abrir neste Sertão do Hemisfério!

IV – A Planaltina Candanga: a partir de 1960.

Em 1956 o novo Presidente é empossado.
E o Povo Brasileiro a JK delega e confia
Poder para este sonho ser de novo retomado.
Aí acontece a épica Inauguração de Brasília
Como a Nova Capital de um país modernizado!

E aquela nossa Cidade caipira, tão pequenina,
É incorporada à área do Distrito Federal
Fazendo da Velha e Saudosíssima Planaltina
Um relicário fabuloso de Cultura Tradicional
Criada lá no tempo das minas
De ouro do Planalto Central!

Daí para a frente se nota muita diferença.
Nossa Cidade encontrou um novo caminho,
Mas continua mantendo as velhas crenças
Como a Via Sacra e a Festa do Divino!

Outras novidades passaram a acontecer.
E Planaltina foi de fato transformada.
Chegou o Vale do Amanhecer
E a Estação de Águas Emendadas!

Outro fato também muito importante
É que a Cidade cresce desordenada;
Novos bairros inventados pelos governantes
Torna-a cada vez mais bagunçada!

Junto à Planaltina Antiga, veio a Candanga.
Criaram a Vila Buritis!
Não se contentaram; improvisaram o Arapoanga!
Veio também o Jardim Roriz!
E agora, com mais subúrbio, a violência anda...
Solta como o bandido sempre quis!

E as Periferias, penando como vivalmas,
Simbolizam a Planaltina Brasiliense.
Eu – seu Fundador – o Velho Mestre d’Armas
Aqui termino protestando em silêncio:

VIVA PLANALTINA!!!
Minha terra, minha vida:
Que a sua elite grã-fina
Não deixe a Periferia esquecida!

VIVA PLANALTINA!!!
Meu ponto de partida,
Encruzilhada da Verdade,
Meu destino, minha sina,
Minha FELIZ... CIDADE!!!

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