sábado, 5 de março de 2011

FALENA
(Francis Paula)
Ela não soube entender
Que a noite virava dia.
Queria brincar com estrelas,
Correr campos, velejar,
Beber a sede das ruas,
Queimar a luz do luar,
Lavrar o corpo no grito:
Mil nomes p'ra segredar.

Não tinha o saber da aurora:
Espaços para equilibrar.
Falena nefas, falida,
Teimando em voejar.

Meus olhos - farol binário
No foco do seu olhar –
Procuravam pirilampos
Para seu sonho clarear.

Mas no miolo da noite,
Outra noite acontecia
E o que era transluzente,
Aos poucos escurecia
Como ondas nebulosas
Sufocando, envenenando,
Roubando o nascer do dia.

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