sexta-feira, 1 de abril de 2011

TIPOLOGIA: UM BREVE ESTUDO
(Adenir Oliveira)

A realidade mais a intenção de criar a beleza estética é que nos levam à imaginação e reflexão. As ciências procuram conhecer o objetivo do estudo através de um método que consiste numa abstração que leva a distinguir as propriedades e as relações das coisas e a fazer afirmações que atribuam propriedades e relações a estas coisas.
Encarar os fenômenos com objetividade significa superar os limites da análise puramente formal para relacionar com o contexto condicionador, sobretudo a estrutura, função, entorno, ambiente e as condições da evolução social, cultura, político e econômico de um momento histórico. Vemos, assim, que todo conhecimento tem uma base cultural como experiência e “herança”, e, como fato, é resultado de diferentes informações colhidas e acumuladas através dos tempos. Este conhecimento é adquirido através da seleção das soluções e das análises das necessidades grupais e coletivas a fim de adotar bases tipológicas que vão se evidenciando através dos tempos e sendo estruturadas como objetivos próprios do conhecimento. Com isso, é possível afirmar que O TIPO É UM ELEMENTO CULTURAL, E COMO TAL PODE SER BUSCADO NOS DIVERSOS MOMENTOS HISTÓRICOS.
O objeto sempre nos leva a uma ideia porque é signo que se relaciona de uma determinada maneira, segundo uma “estrutura”. É uma opção gerada por conceitos de nível sócio-cultural, anteriormente adquiridos, que nos levam a criar um conjunto de elementos com uma gama de variáveis e combinações entre eles, possibilitando a variação do projeto como conhecimento de uma estrutura de valor plástico, funcional, construtivo, etc... bem mais consideráveis. O tipo, portanto, não é algo que se cria, ele existe e cabe a nós descobri-lo.
Tipo é, portanto, a maneira de ser, obedecendo às condições das variáveis formais, funcionais, estruturais, conformação espacial e ambiental, relação objetivo/objetivo e objetivo/entorno, sendo que esta maneira de ser está sempre presente no objeto. É algo abstrato (um construtor mental) que sistematiza o objeto (e o classifica) ou analisa um determinado momento dependendo do “enfoque” dado e, com verdadeira expressão semântica, de acordo com o objetivo que visa alcançar. A expressão é a forma ideal com que os elementos se relacionam e se distinguem. O tipo não é, pois, algo (uma imagem) para ser copiado ou repetido, e sim para se extrair a ideia base que lhe sirva de regra (como essência de uma constante e relativa variável), mas com ressonância e grande expressão. Portanto, o tipo não é um modelo único e simplificado, síntese das melhores formas passadas. Os padrões culturais mudam e com eles as necessidades coletivas. A cada época, região ou período histórico existe uma gama de possibilidades e não um único tipo proposto, fixo e pré-determinado.
O tipo é um MODELO ao nível da abstração e as relações entre os vários tipos e suas combinações é que “definem” a tipologia.
Na estrutura, por exemplo, como conformação ou materialização do espaço, há uma grade variável de classe e subclasse, “subtipo ou tipo menor”. O resultado das combinações e a maneira como eles se relacionam é que vão formar uma série maior: “série tipológica estrutural”.
De tal feita, podemos concluir que, consciente ou inconscientemente, em nosso trabalho diário, dentro de qualquer campo de estudo, estamos lidando com tipos. É uma questão de opção; e quando optamos, o fazemos por um determinado tipo. Por exemplo, uma língua utilizando signos - e com base numa sintaxe - permite diferentes composições desses signos. O meta-projeto, da mesma forma, utiliza signos e sintaxe próprios que se expressam de diversas formas numa linguagem. A tipologia é a configuração “formal” dessa linguagem.

(Planaltina em Letras, ano I, nº2 , p.2/3, out/dez – 2010)

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