segunda-feira, 14 de novembro de 2011

XIKO MENDES CONTRA O CRIME (imaginário)!!!!

Crônica de um Crime em Barão de Lucasil

Xiko Mendes

Décadas se passaram,
Mas ainda me lembro
Quando vários homens
Brigaram na eleição.
Era tarde ensolarada,
E dia 20 de novembro,
Quando a briga iniciou
Ao terminar a votação.
E formou-se um tumulto
Na porta da escola.
Era gente pelos corredores
Levando pontapé.
Foram murros, punhaladas
E gente indo embora.
Parecia o diabo reinando
Num mundo sem fé.
Juca Valdas Landório
– era esse o Coronel
Que mandava na cidade
E iniciou a confusão.
Saulo Capistrano
Entrou amargo como o fel;
Foi metendo seu punhal
Nas costas do povão.
Depois de meia hora
Todo mundo se acalmou.
E os lacaios do Governo
Perderam a eleição.
Passados dois meses
Depois que o povo votou,
Apareceu morto
Um personagem da sedição.
Antes da posse do
Novo Prefeito da Oposição,
O Saulo Capistrano foi pego
E amarrado.
Ele estava em fazenda
Cuidando de plantação
Quando cometeram
Esse homicídio qualificado.
Sevícias, torturas,
Asfixia e estrangulamento:
Esses foram
Os crimes hediondos praticados.
O Saulo Capistrano
Morreu nesse sofrimento;
E a polícia começou
A identificar os acusados.
E enquanto a polícia
Procurava os assassinos,
Saulo Capistrano foi
Enterrado como indigente.
Ele era um imigrante
Sem família e sem destino.
Até hoje ninguém sabe
Quem eram seus parentes.
Polícia e Justiça encerraram
O laudo cadavérico.
Descobriram assassinos
E quem foi o Mandante.
Mas depois de terminada
A redação do inquérito,
Sucedeu-se na história
A parte mais importante.
O cadáver de Saulo
Desapareceu do cemitério.
E o Mandante contratou
Dezenas de advogados.
Testemunhas se enrolaram
E esse é o mistério:
Os autos do processo
Foram todos engavetados.
Muitas das testemunhas
Caíram em contradição.
O pobre morto não
Tinha dinheiro nem advogado.
E o novo governo,
Que agora deixou a Oposição,
Não conseguiu que o processo
Fosse desarquivado.
Esse crime aconteceu
Em nossa Barão de Lucasil,
Um município sem justiça
Onde a lei é do mais forte.
Impunidade é uma regra
Como no interior do Brasil
Porque o Povo aqui
É omisso até diante da morte.
A injustiça permanece
Me inquietando nesses anos.
É uma pergunta que não
Quer calar nesse momento:
Por que não se prende
Quem matou Saulo Capistrano?
E eis a minha resposta:
Que se faça o Julgamento!!!

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