segunda-feira, 14 de novembro de 2011

XIKO MENDES presta homenagem póstuma ao seu sobrinho MATIAS D. MENDES.

Como se fossem as Últimas Palavras de MATIAS

(Homenagem prestada ao meu sobrinho Matias Dias Mendes, 1989-2011, que faleceu às 18:30, terça-feira, em 08 de novembro).

Xiko Mendes

Não venham dar-me adeus!
Não é isso que quero de vocês!
Sei que morri jovem, trabalhando,
Fazendo aquilo que é digno de ser homem.
Aprendi com papai e mamãe uma coisa:
Que a vida ousa seus passos até o limite máximo
De nossa própria incompletude existencial.
Só a morte complementa-nos, justifica quem fomos.
Nada é superior à decisão imponderável de morrer
Quando todos queremos que permaneçamos vivos,
Irmanando-nos uns com os outros em comunhão
De sentimentos e vivências agradáveis e indizíveis.
Não morro para deixá-los tristes, sucumbidos
À dor latejante de querer-me entre vocês.
Morro, sim, mas com a certeza de estar,
Em silêncio eterno, imortalizado na saudade de cada um de vocês.
Não pensem que morri, pois continuarei vivo entre vocês,
Fazendo-lhes lembrar de mim, não pelo que errei ou pelo que
Disseram-me de forma equivocada.
Lembrem-se de mim apenas pelos belos momentos
Em que juntos estivemos
Trilhando, unidos, na mesma estrada,
Compartilhando sonhos,
Dividindo juntos os mesmos lugares na mesa ao jantar,
Contemplando a infinita beleza do Universo,
O mistério da Vida e da Natureza.
Nada acontece por acaso na imensidão abissal
Que separa nossa Existência do infinito e injusto
Desejo egoísta de querer que a gente fique aqui vivo para sempre.
Sei que é preciso ceder meu lugar aqui para outros
Que possam, assim como fiz, continuar
Minha obra heróica de sonhar,
Ser feliz,
Ser amigo,
Confraternizar-se,
Solidarizar-se sempre.
Viver de bem com todos para eternizar-se em vossos corações:
Essa deve ser a tarefa de todos nós!
Esse deve ser o consolo que ofereço a vós,
Homens e mulheres inconsoláveis,
Que clamam por minha presença achando que estou ausente.
Não existe ausência eterna quando há entre nós
O compromisso eterno com a vida e a saudade dos que se foram.
Não disse adeus a nenhum de vocês.
Continuarei aqui, com a alma vívida e eloqüente,
Dizendo-lhes:
Não chorem!
Não lamentem!
Não digam que o mundo acabou!
Que vossas vidas não tenham mais sentido!
Todos vivem para um dia morrer.
E morrer para estar vivo na mente das próximas gerações.
Aqui despeço-me, temporariamente,
Dando-lhes o meu silêncio à morte do corpo
Como resposta aos seus sofrimentos de dor
Certo de que viverei sempre entre vós,
Em seus sonhos, lembranças e saudades.
Lembrem-se apenas dos momentos bons que vivemos.
Nada mais!
Isso basta!
Continuem a ser felizes!
Mantenham-se retos e irmanados!
Pensem em mim simplesmente
Como alguém que fez uma viagem
E nessa passagem transitando pela existência
Despediu-se!
Mas não morri para aqueles que me amam.
Vivam em paz!
Viverei em eternidade!
Um dia nos reencontraremos!

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