domingo, 8 de janeiro de 2012

PEDRA FUNDAMENTAL EM PLANALTINA É HOMENAGEADA PELO ESCRITOR FRANCISCO DURÃES.

Cinqüentenário da Pedra Fundamental

                                          Francisco Durães (da APL)

Relembro, Doutor Chiquinho,
Um fato acontecido
Nesta Velha Planaltina,
Que deve ser conhecido
Por este País afora
E eu faço com este sentido:

Na Serra da Independência,
No Morro do Centenário,
Existe um Monumento,
Um antigo Relicário,
Que faz hoje cinqüenta anos;
Salva o seu aniversário!

Foi Epitácio Pessoa
Quem o mandou colocar.
Na época era Presidente,
Lutando para governar
Tendo contra si tenentes,
Loucos para o derrubar.

Naturalmente pensou
Que, mudando a Capital,
Seria a grande solução
Para o Progresso Nacional,
Longe da politicagem
E da pressão nacional.

O Engenheiro Balduíno,
Seu Representante,
Fez tudo em Araguari,
Vindo em seu carro ao volante,
Liderando outros fordes,
Com a Pedra chegando ao Monte.

Precisamente ao meio-dia,
Ela foi inaugurada,
Sendo posta em sua Base,
Uma Urna que, selada,
Guardou os Papéis Históricos
Daquela Data Sagrada.

Dizem que foi um lindo dia,
Com o céu azul cor de anil
Realçando os verdes campos
Num dia primaveril...
Flores amarelas, brancas...
Todas cores do Brasil!

Tudo passou como um sonho
Para que não fosse esquecida.
Gente daqui teve a idéia:
Doar terra a ser vendida.
E o Intendente Deodato
Fez ela ser bem cumprida.

O Washington Luiz na capa,
Fez a sua propaganda,
Num retrato oficial,
Por todo este País anda,
“Paulista” de Macaé,
Austero ele a comanda...

A Revolução de Trinta,
Com a “Paulista” logo após,
Intentona Comunista,
Integralismo feroz,
Conseqüência: “Estado Novo”.
Planaltina e ela a sós...

Veio a Guerra e, agredidos,
Contra o “Eixo” nós lutamos.
Estivemos lá na Itália.
O seu solo libertamos.
Voltamos vitoriosos
E o Ditador derrubamos.

Os democratas de novo,
Da velha Pedra lembraram.
Comissões foram mandadas.
Quadrilátero estudaram.
De “Poly” a “Zé Pessoa”,
Cinco sítios selecionaram.

O Castanho foi o escolhido;
E assumindo o seu papel,
JK, um homem convicto,
Juntando-se ao Israel,
Trouxe a Capital, do Rio,
Para a nossa Cidade-Céu.

Lúcio Costa e Niemeyer
Fizeram esta Cinderela,
Deslumbrando o mundo inteiro
Nessa imensa Passarela;
E a Pedra, no seu outeiro,
Esperava o dia dela.

“Revolução Redentora”
A consolidou afinal,
Construindo um heliporto,
Urbanizando o Local,
Dando um novo ponto turístico
Ao Distrito Federal.

Dizem: nenhum presidente,
O Marco veio visitar;
Esperamos ser o Médici
Para homenagem prestar
Ao “Velho Antecessor”
Que, em espírito, há de estar.

Não poderia deixar
O Hélio Prates de fora,
Pois foi na sua gestão
Que o Setor teve melhora.
Esperamos que ele esteja,
Com o Presidente na hora.

Terminando, homenageio
Os que não pude citar.
Uns conheci, outros não.
Mas todos hão de ficar
No coração deste Povo
Que com orgulho há de lembrar.

P.S.: Este poema foi lido pelo autor no dia Sete de Setembro de 1972, durante solenidade em comemoração ao aniversário de 50 anos da Pedra Fundamental, em Planaltina-DF. Fonte: Mendes, Xiko (Org.). Momento Literário de Planaltina, Academia Planaltinense de Letras: Bbs, 1999, P.97-100.

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