quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

VANTAGEM TECNO-AMBIENTAL E O DESENVOLVIMENTO CULTURAL
(Adenir Oliveira)

A origem da técnica está no espírito humano, servida por duas condições indispensáveis: a linguagem, condição da comunicação; e o manuseio que permite a execução do invento. O engenho humano imagina conjuntos de processos para o aproveitamento da natureza guiado pela experiência que o fixa, o transforma e o transmite sob a forma de técnica. Técnica esta que mantém o homem em estado de cooperação e o entrega em moldes de pensamento e ação. É a combinação das ciências com a invenção na utilização de processos mecânicos novos ou antigos para produzir “coisas”. A habilidade do homem só pode ser apreciada em função do meio em que ela for exercida – o meio geográfico, por exemplo, condiciona o emprego de recursos que o favorece.
As ferramentas, os instrumentos e as máquinas marcam a sequência evolutiva da sociedade tecnológica, sucessiva e cumulativamente. O aperfeiçoamento das ferramentas, a adoção da caça organizada, os hábitos de coleta e o início de uma verdadeira organização familiar tornaram mais importantes na escala evolutiva da humanidade - embora seja muito difícil reconstituir, em detalhes, a crescente dependência de sistemas de símbolos significativos – a música, a arte, a literatura e o mito para a orientação, comunicação e autocontrole, criando um novo ambiente para o homem, ao qual era, então, obrigado a adaptar-se. À medida em que a Cultura vai “surgindo” e evoluindo com o homem, acumula-se e desenvolve-se uma vantagem seletiva inerente aos indivíduos capazes de explorar vantagens.
O espaço, usos e costumes começam a mudar, criando um novo ambiente, bem como um ambiente cultural novo. O modo de pensar, de sentir e de agir das pessoas vão mudando, e com eles a Cultura vai se desenvolvendo, criando laços e ultrapassando as fronteiras. O homem, desde então, vai procurando adaptar a paisagem às suas reais necessidades.
O artificialismo é tão antigo quanto o homem, e a medida que transforma a natureza adapta o meio ambiente às suas condições sociais, surgindo, dessa forma, as primeiras relações do homem com o ambiente quando ele toma “consciência” de seu estágio de evolução. Assim, está criando novos modos de vida, novos costumes, usos e padrões que vão gerar um espaço diferente e uma Cultura “enriquecida” de “novos valores”.
A Cultura não é só adaptativa, mas também cumulativa e persistente. Adaptativa porque é capaz de mudar; cumulativa porque passa de geração adulta para gerações imaturas; e persistente por não mudar sem uma causa social verdadeira.

(Planaltina em Letras, Ano II, nº 6. p.2)

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