sábado, 4 de fevereiro de 2012

XIKO MENDES (POESIA).

Homenagem ao Menestrel de Urucuiânia

(Xiko Mendes)

Tu és uma estrela solitária
Vagando entre constelações ambulantes!
Tu és o anjo torto guardião da
Memória épica desse povo humilhado
Por essa elite míope e corrupta!
Tu és a alma vernácula
Que se levanta com teu espírito nativista
Em defesa de nossa identidade ancestral!
Tu és o arquivo vivo da história do nosso povo!
Tu és a própria história dispersa em fragmentos
Catados à dedo por arqueólogos de um tempo novo!
Tu és a consciência culpada desses cidadãos
Que se omitem por medo ou por conveniência!
Tu és a consciência crítica que se rebela
Contra aqueles que usam a tradição ou o futuro
Como instrumentos de alienação coletiva!
Tu és o exemplo ético em meio à Mediocridade
Que é a marca vergonhosa da geração em que vivemos!
Tu és o espírito de vanguarda pairando,
Em silêncio, para subverter a Ordem das Coisas!
Tu és o Porta-voz de quem não tem voz nesta cidade!
Tu és a coragem saindo a jato pelos poros
Em busca de gente pronta para a revolução!
Tu és o meu palimpsesto
Onde inscrevo nas tabuletas das Efemérides
A lista dos fatos e das pessoas veneráveis
Que um dia habitaram o solo dessa cidade!
Tu és a Minha Esfinge Alada pousando
Nas arcádias e nos parnasos do Mundo
Como mensageiro e herói-civilizador
De populações tradicionais vítimas do etnocídio!
Tu és o Mito fundador das epopéias não escritas
Pelos vencedores que se auto-glorificam em cima
De centenas de cadáveres de heróis anônimos!
Tu és o Missionário-paládio de Clio, que realiza
A conexão dialética entre o Passado que se esvai
E o futuro que se distancia dos valores fundamentais
Da existência de um povo (in)consciente de seu papel na História!
Tu és o historiador não reconhecido pelas elites dessa Cidade sitiada
Pela ignorância política e pela impotência moral de
Homens e mulheres que se silenciam
Vendo triunfar a “Versão da História”
Contada pelos vencedores!

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