sexta-feira, 13 de abril de 2012

Alimento – Um fenômeno cultural
Por Adenir Oliveira

Hábitos e ideologias alimentares tem à frente o acesso ao alimento como força propulsora para a obtenção do produto que satisfaça a necessidade biológica do comer, que é caracterizada como um fenômeno cultural. Os grupos se organizam em um sistema de trabalho e evoluem; criam padrões, normas, usos e costumes para descriminar ou classificar certos tipos de alimentos.
“Alimento é algo representativo, isto é, apreendido cognitiva e ideologicamente. Nem tudo que pode ser comido ou que possa constituir alimento é percebido como tal. A ideologia alimentar é um sistema cognitivo e simbólico que define qualidades e propriedades que tornam o alimento indicado ou contra-indicado em situações especiais, em que seu valor é definido como alimento em função de um modelo pelo qual se conceptualiza a relação entre o alimento e o organismo que o consome, definindo simbolicamente a posição social do individuo”.
A existência de padrões culturais é necessária tanto para funcionamento de qualquer sociedade como para sua conservação e desenvolvimento. O alimento é algo representativo, embora o comer seja um impulso compartilhado por organismos nos diversos pontos da escala zoológica, uma diferença fundamental existe neste impulso tal qual é manifestado no homem e nos animais.
Não apenas a aprendizagem desempenha um importante papel no tipo de comportamento exibido pela fome, mas também o alimento procurado para saciar a fome é determinado pela cultura em que o individuo vive e convive. Alimentos que são considerados requintes em uma cultura, em outra pode causar repugnância. As crenças, também, influem na classificação dos alimentos considerados apropriados para satisfazer a fome: muitos muçulmanos preferem morrer a comer carne de porco. É um fato apreendido e transmitido de geração para geração como um TRAÇO CULTURAL.
Depende da seletividade que varia de cultura para cultura, precisamente por ser a alimentação um fenômeno cultural. Hábitos alimentares possuem conteúdos simbólicos e cognitivos, relativos à classificação social e à percepção do organismo e das relações entre as substâncias ingeridas.
O alimento quanto mais próximo do homem, do seu habitat, mais se identifica com ele. O individuo nasce com potencial de aprender qualquer Cultura e adquirir atitudes e crenças predominantes, formas e padrões de comportamento apropriados e valores da Cultura que nasce como sendo a herança social do homem, a qual é aprendida e transmitida socialmente.

(Planaltina em Letras, Ano II, nº 7, p. 2, jan/março-2011)

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