segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

APL COMEMORA SEUS 15 ANOS COM FESTA SOLENE E LANÇAMENTO DE 03 LIVROS


A Academia Planaltinense de Letras encerrou suas atividades em 2013 com festa comemorativa aos seus 15 anos e com lançamento de 03 livros: A Musa Debutante, 15 anos navegando em Águas Emendadas (5ª antologia da APL), Sorrisos de Medusa Transformam Sonhos em Pedra (Xiko Mendes) e Lira dos Nossos Trint'Anos (Joésio Menezes). O evento, realizado na ASCIP na noite de sexta-feira (dia 06/12/2013), contou com as participações do cantor Gilvan Ema e do poeta Luis Felipe Vitelli e com a ilustre presença do escritor Adirson Vasconcelos.
Gostaríamos de aqui agradecer o apoio da Associação Comercial e Industrial de Planaltina (ASCIP), que gentilmente nos cedeu seu salão para a realização do nosso evento.















domingo, 24 de novembro de 2013

POESIA DE XIKO MENDES


“Aos Vencedores, as Batatas”

Xiko Mendes

Vocês me venceram!
Podem comemorar saindo às ruas com faixas
Celebrando a Vitória da Omissão Coletiva.
Tentei acabar com o analfabetismo em Formoso.
Fui derrotado, pois quem é político-coronel adora
Eleitores que chegam cegos à urna eletrônica
Já trazendo a tiracolo o número do candidato.
Tentei implantar a Reforma Agrária em Formoso.
Ajudei Ozanam a criar o primeiro sindicato no município.
Fracassei, pois os Latifundiários continuam mandando na cidade.
Tentei conscientizar os eleitores de que não deviam vender o voto.
Saí candidato pregando essa campanha ética e perdi.
São e serão eleitos em Formoso aqueles que pagam contas de água e luz;
Dão carona na beira da estrada, pagam receita de remédio,
Não lutam contra o analfabetismo, não movem esforços
Para Formoso se industrializar e dar emprego para os eleitores, etc.
Tentei combater a corrupção em Formoso.
Aí acusaram-me de ser “Mal” (?!), de ser “ Muito Crítico”...
Mais uma vez os “Políticos, que se acham
Donos do Futuro de Formoso”,  saíram vencedores.
Tentei convencer o Povo de que Meio Ambiente
É indispensável para se ter uma Cidade Sustentável.
Também me derrotaram.
Eles preferem ver os rios Piratinga, São Domingos e
Seus afluentes morrendo intoxicados a ficar do meu lado.
Tentei lutar pela criação de uma Região Integrada de Desenvolvimento
Que juntasse os Municípios da Região do Marco Trijunção
Entre os Estados da Bahia, Goiás e Minas Gerais;
Mas a maioria dos políticos não deu apoio.
Eles acham melhor que Formoso continue isolado, com
Um Povo dependente de favores políticos em troca de voto.
Aos vencedores curvo-me, como um derrotado assumido,
Porém, altivo, patriota e feliz por não ser cúmplice dessa gente.
Deixem que meus vencedores celebrem suas vitórias
Mantendo o Analfabetismo em Formoso;
Mantendo a continuidade dos agrotóxicos
Matando rios; desmatando o Cerrado; e
Tudo virando cinza;
Celebrem suas vitórias!
Celebrem a conivência com aqueles que já
Surrupiaram os Cofres Públicos e continuarão impunes
E ainda serão novamente eleitos com o voto do Povo!
Aos meus vencedores
Deve ser prazeroso manter o atraso cultural em Formoso
Para que, assim, eles possam continuar se reelegendo
Graças à falta de Consciência Cívica e Política local;
Aos meus vencedores deve ser bom celebrar
O suplício que é ser Pai de Família em Formoso,
Criar cinco, dez filhos, e a vida toda ficar desempregado,
Vivendo de subemprego, de favorzinhos políticos,
E tendo que se humilhar aos coronéis que se julgam donos de Formoso;
Aos meus vencedores deve ser “sadicamente” agradável
Ver grupos de jovens desempregados na sarjeta das drogas,
Como transeuntes moribundos vagando nos becos noturnos;
E nenhum político eleito toma providências;
Aos meus vencedores deve ser muito útil
Formoso continuar isolado, sem estradas, que nos liguem
A todos os Municípios da Região do Marco Trijunção.
Aos meus vencedores, que continuam festejando
A ida de ambulâncias levando pobres doentes para Brasília,
Deve ser útil não termos estrutura de saúde que preste;
Aos meus vencedores, que continuam de braços cruzados
Vendo o Cerrado morrer sem fazer nada,
Deve ser proveitoso usar a grana do Agronegócio para
Financiar estruturas milionárias de campanhas eleitorais
Para serem eleitos e, depois,
Urdir “estratégias” de ressarcimento dos gastos;
Aos meus vencedores também deve ser “bom demais”
Ver filho de pobre andando em ônibus caindo aos pedaços
Atrás de escolas distantes enquanto esqueletos de obras inacabadas
Não se convertem em prédios de novas escolas próximas desses alunos;
Aos meus vencedores, que continuam comemorando
Os meus fracassos, deixo apenas uma lição:
É graças a “vitórias” como essas aqui,
Que Formoso continuará sendo o que sempre foi
Desde os Primórdios de sua História lá no século XVIII:
Uma cidade pacata, com baixíssima autoestima e um povo omisso.
É graças aos meus fracassos que Formoso continuará
Celebrando essas “grandes vitórias” como “legado”
Às Novas Gerações, que ainda nascerão neste 3º Milênio,
E para as quais meus fracassos custarão caro ao
Futuro do Povo Formosense.
Celebrem suas “vitórias”!
E, antes que seja tarde, celebrem também
A vergonhosa biografia dos vencedores de hoje

E que será escrita pela Posteridade.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

ESCRITOR DE PLANALTINA NA 31ª FEIRA DO LIVRO DE BRASILIA

A Academia Planaltinense de Letras (APL) tem a honra de informar que o escritor Ricardo Santana, de Planaltina-DF, estará, a partir das 18h30 do dia 28/11 (quinta-feira), no ESPAÇO DO AUTOR da 31ª Feira do Livro de Brasília, que será realizada no Teatro Nacional Cláudio Santoro. Na ocasião, Ricardo Santana estará relançando e autografando “O Bancário Refém”, livro em que o autor relata, com aguda sensibilidade e humor, suas experiências vividas durante o período em que trabalhou como bancário.

Prestigiem-no!...

A Academia Planaltinense de Letras (APL) convida:

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

EMPRESÁRIOS DE PLANALTINA SÃO HOMENAGEADOS EM SESSÃO SOLENE
            
Fotos: Walter Gonçalves

            Convidada pelo Deputado Distrital Cláudio Abrantes, a presidente da Academia Planaltinense de Letras (APL), Geralda Vieira, participou de Sessão Solene em comemoração ao “Dia do Empresário”, realizada na noite do dia 23 de outubro, no Ginásio de Funções Múltiplas, em Planaltina-DF.
            Durante a Solenidade, o deputado fez uso da palavra e agradeceu a presença de Geralda Vieira (que também é empresária, no ramo da hotelaria) e exaltou a incessante luta da presidente da APL na propagação da Cultura planaltinense, enfatizando, principalmente, a importância da Academia Planaltinense de Letras na divulgação e promoção artística-cultural da cidade.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Academia Planaltinense de Letras

AVISO IMPORTANTE

A Diretoria da Academia Planaltinense de Letras informa que na sexta-feira, 6 de dezembro de 2013, será comemorado o aniversário de 15 anos de nossa entidade, criada em 5/12 de 1998.

Entre os diversos eventos previstos, está o lançamento da quinta antologia (livro) intitulado A MUSA DEBUTANTE: 15 ANOS NAVEGANDO 
EM ÁGUAS EMENDADAS.

AGUARDE-NOS!

ESCRITOR XIKO MENDES
Vice-presidente da APL
Mandato: 2011 - 2014.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ACADEMIA TAGUATINGUENSE DE LETRAS (ATL) CONVIDA:

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

APL PARTICIPA DA MOSTRA CULTURA DO CEF 04



Na manhã da última quarta-feira, dia 11/09, aconteceu a Mostra Cultural do Centro de Ensino Fundamental 04 de Planaltina (o CIE), ocasião em que alunos e professores apresentaram trabalhos de excelente qualidade, desenvolvidos ao longo do semestre.
          Dentre os diversos temas abordados, o meio ambiente esteve em evidência em várias oficinas, que alertaram os visitantes sobre a necessidade de se fazer alguma coisa para salvar o Planeta das ações devastadoras do homem. Os outros temas que também ganharam destaque foram as Artes e a Literatura.
           Quem se fez presente na Mostra Cultural do CIE, pôde assistir a exposições de pinturas (releitura de obras famosas) e Literária (Arte Moderna), sarau de poesias e apresentação teatral (com o grupo Língua de Trapo). A literatura também esteve representada pela Academia Planaltinense de Letras (nas pessoas de Marcos Alagoas e Joésio Menezes, cadeiras 11 e 27, respectivamente), que expôs banneres e obras literárias produzidas pelos seus Acadêmicos, algumas das quais distribuídas gratuitamente aos visitantes.
           Nós da Academia Planaltinense de Letras (APL) agradecemos o convite e parabenizamos o CEF 04 pela iniciativa do evento. Parabenizamos, ainda, a dedicação da Direção, dos professores, dos servidores e, principalmente, dos alunos do CIE, que realizaram um trabalho de magnitude invejável.













terça-feira, 10 de setembro de 2013

ESCRITOR DA APL É HOMENAGEADO PELA ESCOLA CLASSE 01 DO ARAPOANGAS EM PLANALTNA-DF.

Arapoangas homenageia APL

       Foi realizado na manhã e tarde de quinta-feira, 5/9/13, a culminância cultural do projeto pedagógico “Eu sou poeta”, executado pela Escola Classe 01 do Arapoanga, em Planaltina-DF. Idealizado pela aguerrida professora Conceição, o projeto foi estendido a todas as turmas do colégio e desenvolvido pela maioria dos educadores, que contaram com o apoio irrestrito da Direção, inclusive a entusiasmada professora Marilu.
O escritor e Prof. Xiko Mendes, titular da Cadeira 6 da Academia Planaltinense de Letras e Vice-presidente dessa entidade, foi convidado a participar do evento o dia inteiro. E foi surpreendido com tantas homenagens feitas pelos alunos recitando poesias dele, afixando seus textos nos murais, além de dezenas de textos produzidos pelos próprios alunos. Foi mais surpreendente ainda ver no palco criancinhas de 5,6, 8 anos lendo ou declamando poesias ou cantando maviosamente, o que fez desse evento um momento pleno de catarse em que a alma, apoteoticamente, se eleva e se enleva rumo ao infinito para transformar tudo que é belo em essência suprema da vida. Parabéns, EC 01!

VI CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE COMPREENSÃO LEITORA foi realizado em Formosa-GO e teve participação da APL.

APL participa do 6º Congresso Latino-americano de Compreensão Leitora

Foi realizado, em Formosa-GO, na primeira semana de setembro, o VI Congresso Latino-americano de Compreensão Leitora (COLACOL). O evento, que teve a parceria de várias instituições culturais (UFG, UEG...), foi presidido pela Professora Ieda Vilas Boas, e teve como objetivo promover debates e atividades visando despertar o Povo Brasileiro para a leitura e a valorização da literatura e dos escritores. A Academia Planaltinense de Letras se fez presente na agitadíssima noite cultural de quinta-feira, 5/9/13, durante o lançamento de dez livros e diversos CD e DVD por intelectuais de Goiás e do DF.
Entre os vários trabalhos lançados, destacaram-se os livros Coração de Poeta, autoria de Wert Alvarenga, e O Menino Transmigrante, de Aderbal José de Sousa. No evento, que aconteceu no Espaço da Secretaria Municipal de Cultura de Formosa, havia mais de 300 convidados. A APL foi representada, oficialmente, pelo escritor Xiko Mendes, que também é nosso vice-presidente. Foram momentos belíssimos tendo como Mestre de Cerimônias o sempre festejado e ilustre poeta e compositor goiano Antônio Vítor. O próximo Congresso será realizado no México. A APL rejubila-se orgulhosamente de ter participado desse evento que vem para celebrar a latinidade e promover a integração entre fazedores de cultura e intelectuais do Brasil com esse continente cuja unidade cultural foi tão sonhada no início do século XIX por libertadores do naipe de Simon Bolívar.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

APL EM AÇÃO NA 10ª EXPOPLAN
- Planaltina-DF, 2013 -
            Durante o mês de comemorações do 154º aniversário de Planaltina, dentre as várias atividades festivas aconteceu a 10ª EXPOPLAN, realizada entre os dias 28/08 e 01/09, quando se deu o encerramento das festividades.
A convite da Associação Comercial e Industrial de Planaltina (ASCIP), a Academia Planaltinense de Letras se fez presente no ASCIP CULTURAL (evento realizado pela ASCIP no pavilhão da INDÚSTRIA E COMÉRCIO, nos dias 31/08 e 01/09), ocasião em que expôs algumas de suas Antologias, além de trabalhos de Acadêmicos.
            Ao lado do grupo cultural CONTRA IN-VERSOS (dos artistas Geraldo Ramiere e Luiz Felipe Vitelli) e da companhia teatral ALVARÁ PARA A LOUCURA (dirigida por Cláudia Amorim), os poetas Joésio Menezes e Xiko Mendes (ambos da APL) apresentaram-se no Sarau que ali aconteceu. Eles revezaram-se entre as apresentações teatrais e musicais do evento, que também contou com a participação dos poetas planaltinenses Paulinho Siqueira, Raquel Ely e Donne Pitalurgh. O grupo musical Corpo Livre e o cantor Gilvan Ema encarregaram-se de animar a plateia com que há de melhor na música popular brasileira.
            Também representaram a APL no ASCIP CULTURAL, a escritora Geralda Vieira (presidente) e o cantor, compositor e poeta Marcos Alagoas, que expôs alguns dos seus trabalhos voltados ao meio ambiente.
          A Academia Planaltinense de Letras (APL) agradece ao presidente da ASCIP, o Sr. Célío Rodrigues, pelo convite e parabeniza sua iniciativa de promover a interação da Cultura com os empresários da cidade, parceria esta que pode gerar bons e infindáveis frutos num futuro bem próximo.










terça-feira, 27 de agosto de 2013

OLINDA DA ROCHA LOBO (FORMOSA - GOIÁS).

Oh! Linda Despedida

(Homenagem à minha amiga e colega Professora Olinda da Rocha Lobo – 1929/2013).

Prof. Xiko Mendes
(Da Academia Planaltinense de Letras e da Academia de Letras e Artes do Planalto).

Aqui neste idílico Planalto Central,
Entre serras, palmeiras e campinas,
Deus fez nascer em sopro divinal,
Minha grande amiga: Dona Olinda!

Mensageira da palavra irrequieta,
Ela foi a nossa parteira de sonhos,
Aqui foi nossa professora e poeta
E agora nos deixa aqui tristonhos.

Quanto amava Formosa e seu povo!
Quanto gostavas de ser educadora!
E agora na sua ausência eu louvo
O teu canto com voz arrebatadora.

Eras a amante do Cerrado e da Vida!
Eras a Guardiã de nossa Memória!
Eras a Mestra de inspiração infinita!
Eras a Porta-voz da nossa História!

O Mundo agora amanhece melancólico.
Formosa sempre acordará entristecida.
É a lembrança desse registro de óbito
Marcando a saudade de minha amiga.

Mas há para seus amigos um consolo:
O de que jamais nós iremos esquecê-la,
Pois, para nós, Olinda da Rocha Lobo,

Será hoje e sempre uma grande estrela!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

EDUCADORES E ESTUDANTES DO CENTRO 2 FAZEM PASSEATA EM DEFESA DA SEGURANÇA NAS ESCOLAS DO CENTRO DE PLANALTINA-DF.

DISCURSO DE XIKO MENDES representando os Professores do CENTRO DE ENSINO MÉDIO 02, DE PLANALTINA-DF, na PASSEATA REIVINDICANDO SEGURANÇA PÚBLICA NA ÁREA CENTRAL DESTA CIDADE ONDE ESTÃO LOCALIZADAS CINCO GRANDES ESCOLAS DO DF, NA MANHÃ DE SEXTA-FEIRA, 9 DE AGOSTO DE 2013.

Excelentíssimo Senhor Governador do Distrito Federal e Médico, Agnelo Queiróz;
Excelentíssimo Senhor Secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar;
Excelentíssimo Senhor Administrador Regional de Planaltina-DF, Professor Nilvan Vasconcelos;
Digníssima Diretora do Centro 02, Professora Sonara;
Colegas Professores e Professoras,
Bravos Estudantes do Centro de Ensino Médio 2 de Planaltina!

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas: que todos os homens são criados iguais, dotados por Deus de certos direitos inalienáveis, e que entre estes estão o direito à vida, o direito à liberdade e o direito à procura da felicidade”.
Assim nos disse Thomas Jefferson na Declaração de Independência dos Estados Unidos, em 1776! E é com essas belas palavras que eu venho nesta manhã radiosa, fulgurante e parteira de ansiedades e sonhos, anunciar a vocês que, em nome dos Educadores do Centro 02, não apenas reivindicamos a paz e a tranquilidade públicas na área central de Planaltina-DF. Nós vimos aqui para exigirmos do Governo do Distrito Federal que ele assuma a sua responsabilidade prevista nos artigos 5º e 144 da nossa magna Constituição. Constituição essa segundo a qual a Segurança Pública é dever do Governo e responsabilidade de todos para a preservação da Ordem Pública e a integridade física e moral do Povo Brasileiro.
Vimos aqui nesta manhã dizer aos nossos governantes que a Pátria – como bem disse Rui Barbosa, “não é ninguém; são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; A PÁTRIA é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade”.
Se a Pátria é o nosso povo, se a Pátria é a nossa juventude, se a Pátria são os nossos aguerridos estudantes... Que Pátria é essa, que é apunhalada pela falta de segurança pública?
Essa é a mesma pátria que está nas ruas desse país protestando contra as injustiças! É a mesma Pátria que se coloca contra os ladrões de dinheiro público! É a mesma Pátria que se levanta, altaneira e radiosa, contra a criminalidade e as drogas que matam os filhos das famílias brasileiras, que matam as crianças e os estudantes desse país!
Nenhuma pátria terá no seu berço esplêndido homens e mulheres livres e felizes sem que o Governo garanta aos Estudantes Brasileiros e Planaltinenses, o direito de ir e voltar das nossas escolas com dignidade e segurança; e que a vida de nossos estudantes seja preservada dos riscos de se depararem frente a frente com malfeitores que se postam nos becos entre as nossas escolas e na espreita, em plena luz do dia, saqueiam nossas crianças e adolescentes!
Que Pátria é essa, onde os nossos alunos saem de suas casas e no meio do caminho tem celulares e mochilas roubados no centro de Planaltina? Que Pátria é essa, onde nossos estudantes a cada segundo correm o risco de serem esfaqueados ou atirados com balas de malfeitores nos becos entre as escolas de nossa cidade? Que Pátria é essa onde crianças e adolescentes planaltinenses, sonhadoras e indefesas, saem de nossas escolas sem a certeza de chegarem em suas casas porque, ao saírem das aulas, estão sujeitos ao confronto mortal com assaltantes que vagueiam, livremente, em pleno centro de Planaltina?
Nós, Professores do Centro 02, não aceitamos o Silêncio como resposta contra a falta de segurança pública enquanto nossos alunos estiverem sujeitos à criminalidade no centro de Planaltina! Como bem nos disse Martin Luther King em 1963: "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter ou dos sem ética... O que me preocupa – disse Martin Luther King – é o silêncio dos bons”.
E nós, educadores do Centro 02, estamos do lado dos bons. Estamos do lado desses aguerridos estudantes do Centro 02, que se postam em praça pública para garantirem o direito constitucional de irem e virem! Esses corajosos estudantes do Centro 2, que hoje vêm às ruas de Planaltina, portando bandeiras, portanto cartazes e faixas, dando seus recados em mensagens cívicas... são estudantes que querem paz e tranquilidade na entrada e saída de nossas escolas! São esses valorosos estudantes do Centro 02, de quem nos orgulhamos de ser os seus professores, os principais protagonistas da luta por uma Pátria onde o direito à vida, o direito à liberdade e à dignidade sejam de fato direitos inalienáveis e sagrados do Povo Brasileiro.
Onde estão os nossos governantes, que não enxergam das vidraças de seus palácios a violência que se alastra, impune, silenciosa e à espreita, o futuro de nossos jovens? Onde está a Secretaria de Segurança Pública que ainda não ouviu os clamores patrióticos dessa valorosa juventude estudantil que aqui hoje, nesta manhã ensolarada, se posta no centro de Planaltina, para pedir mais segurança em nossas escolas? Onde estão aqueles que recebem das urnas a Procuração conferida pelo voto para, em nosso nome, lutar por mais segurança pública?
Nós, professores do Centro 02, ainda sonhamos com uma pátria de homens livres e felizes. Ainda sonhamos com jovens que vão e voltam de nossas escolas felizes e livres. Nós ainda sonhamos com um país onde nossas crianças e adolescentes se tornem jovens dignos, honrados e bem-sucedidos, pois sabemos que nossa Pátria, de tanto ver irregularidades neste país, às vezes se desanima, se aliena e se entrega ao silêncio conivente.
Mas, como já bem disse o sempre lembrado Rui Barbosa, grande exemplo de brasileiro: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. E nossos bravos estudantes, que nessa manhã tomam conta de nossas ruas, é gente que não se desanima nem fica de braços cruzados; nossos alunos é gente que ainda fecunda sonhos e semeia esperança porque nossos estudantes são partes daquele grupo de brasileiros que sonha com uma pátria de pessoas honestas, justas, solidárias e felizes.
Mas não haverá honestidade nem solidariedade nem justiça neste país enquanto a criminalidade assaltar nossos estudantes, enquanto as drogas roubarem o futuro de nossas crianças e adolescentes, enquanto o crime permanecer dando um salto mortal na desavergonhada consciência silenciosa e omissa daqueles que deviam agir em defesa da segurança pública.
Nós, professores do Centro 02, queremos mais policiamento na área central de Planaltina! Queremos o fechamento dos becos do centro de nossa cidade! Queremos que o Batalhão Escolar tenha mais policiais fazendo rondas permanentes nas portas de nossas escolas! Queremos um posto policial na Praça do Estudante! E queremos que a Praça do Estudante seja de fato a praça de nossas crianças e adolescentes e não a praça onde a vida, a felicidade, a liberdade e o futuro são colocados em risco permanente.
Nós somos parte dos três milhões e meio de educadores brasileiros que lutam por um país melhor. E aqui nos colocamos entre aqueles que reeducam a consciência cívica e ética nacional, que ama essa pátria, que ama este solo e este povo, como condição indispensável na formação de um país livre, mais humano, mais solidário, mais ético e mais justo, onde todos possam estudar, onde nossos alunos possam ir e sair de nossas escolas, sem o perigo de morrer ou ser assaltado em plena luz do dia ao sair de nossas aulas.
Como disse meu conterrâneo Tiradentes, na véspera de sua morte por enforcamento há dois séculos: “Se todos quisermos, ainda haveremos de fazer deste país uma grande nação”! E nós haveremos de fazê-lo, inclusive com mais segurança em nossas escolas!
Muito obrigado, Estudantes, professores, pais de alunos e povo de Planaltina!







terça-feira, 16 de julho de 2013

POESIA DE XIKO MENDES, CADEIRA 6 DA APL.

Último Capítulo da LeXIKOpédia Baiangoneira

Xiko Mendes

I – Formoso aos 235 Anos (1778 – 2013)

Foi numa longa caminhada centenária
Que moldamos o Povo de Formoso,
Mas no caminho uma onda refratária
Bloqueou sonhos em busca do novo.

Foi revendo cada fato de nossa história
E analisando os seus acontecimentos,
Que percebi quanto a nossa trajetória
É marcada de retrocessos e lamentos.

Quanto tempo e oportunidades perdidas!
Quanta esperança que morreu ofegante!
Quantos de nós dedicaram as suas vidas
Por um Formoso que sumiu no horizonte!

Deus! Oh Deus! Não esqueça de Formoso!
Cuide dessa gente que é vítima de políticos!
Não deixe que o Futuro se destrua de novo,
Comprometendo o destino desse município.

II – Carta para lerem em minha Despedida como Historiador de Formoso de Minas

Nasci numa terra tão bela, única e inesquecível;
E desde criança passei a amá-la intensamente.
Por toda a vida lutei e fiz um esforço impossível
Para torná-la feliz e o seu povo mais consciente.

Aos doze anos decidi estudar a sua história
Para compreender melhor o nosso passado;
Escrevi livros para preservar a sua memória
Para que no futuro tudo fosse relembrado.

Percorri em minhas pesquisas toda a epopeia
De um povo humilde, mas de rostos felizes;
Narrei a biografia dos heróis dessa odisseia
E vi quanto certos fatos deixaram cicatrizes.

Por mais de trinta anos pesquisando tudo,
Encontrei histórias belas e outras trágicas;
Diante delas me fingi sempre como mudo
Escamoteando-as num passe de mágica.

Assim fui construindo a minha enciclopédia
De fatos relevantes sobre Formoso de Minas,
Mas hoje me decepciono e retomo as rédeas
Já que na vida há algo mais que me fascina.

E chegou a hora da minha lamentável partida!
Dou adeus à luta e a tantas pesquisas infindáveis;
E sei que cumpri a missão que atribuí na vida
Ao me propor em estudar fatos tão memoráveis.

Deixo às gerações que ainda viverão em Formoso
O meu legado cultural como um humilde patriota;
E com a certeza de que tudo fiz pelo nosso povo,
Despeço-me de vocês porque vou mudar de rota.

Decepcionado com a elite política do município
E chateado com a ingratidão de “companheiros”,
Despeço-me de Formoso com um sorriso triste
De quem chora sugando lágrimas no desespero.

Choro hoje e chorarei sempre nessa despedida,
Pois amo e amarei Formoso enquanto viver.
E nunca esquecerei que em toda a minha vida,
Formoso é minha utopia e essência do meu ser.

III – Região do Marco Trijunção ou BA.GO.Minas
(Fronteira entre Bahia, Goiás e Minas)

Esse foi meu último sonho em Formoso:
O de promover a integração dessa cidade
Com um projeto que fizesse de seu povo
O protagonista de sua própria felicidade.

Sonhei em unir Minas com Goiás e Bahia
Para juntos formarmos nova reintegração,
Pois somente se unindo é que se poderia
Trazer progresso rápido a essa população.

Tentei convencer os prefeitos e vereadores
Para que eles apoiassem de forma coletiva,
Unindo fronteiras dos três estados divisores
Para o desenvolvimento de novas iniciativas.

Mas a maioria das lideranças dessa Região
Mostrou-se apática ou com inveja do projeto
Que visava integrar cidades dessa Trijunção,
Mas que precisava desse apoio para dar certo.

Sem apoio e sem logística para a estruturação,
Desisti de sonhar em desenvolver a fronteira
Entre Bahia, Goiás e Minas, para que a nação
Pudesse promover a Consciência Baiangoneira.

IV – Vou-me embora de Formoso

Vou-me embora de Formoso!
E voltarei apenas para passear,
Pois lutei tanto por esse povo
Que agora deverei descansar.

Vou-me embora desse Formoso
Que tanto amo e amarei sempre.
E cansei de lutar por esse povo
Que ignora o esforço da gente.

Vou-me embora já desse Formoso
Cujos políticos têm inveja de mim!
E desses políticos eu tenho é nojo
Por serem de uma elite muito ruim.

Vou-me embora já desse Formoso!
E bem longe buscarei a felicidade.
Eu não me envolverei com esse povo
Nem batalharei mais por essa cidade.

Vou-me embora já desse Formoso!
Não peçam para que mude de ideia.
Não tive reconhecimento desse povo;

Por isso eu dou adeus a essa Patuleia.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

DISCURSO FEITO DURANTE O LANÇAMENTO DA PEDRA FUNDAMENTAL EM 1922.

Homenagem antecipada da Academia Planaltinense de Letras ao Centenário da Pedra Fundamental, em 7 de setembro de 2022, durante o Bicentenário da Independência do Brasil

Discurso de Lançamento da Pedra Fundamental em 1922

Este discurso foi proferido em Planaltina (hoje no DF) pelo então Deputado Estadual Evangelino Meireles, goiano de Luziânia, no dia 7 de setembro de 1922, no momento em que aconteceu a Solenidade de Inauguração do obelisco que simbolizava o Compromisso do Governo Brasileiro com a construção de Brasília, em Goiás.

Comissionado pelos excelentíssimos senhores Presidentes da Câmara e do Senado Estaduais, e pelo Excelentíssimo Senhor Dr. Americano do Brasil, Deputado Federal, para representar, coletivamente, aquelas Casas do Congresso e, individualmente, este brilhante parlamentar goiano na grandiosa Solenidade do Assentamento da Pedra Fundamental da Futura Capital da República no Planalto Central do Brasil, marcada para hoje, pelo Decreto nº: 4.494 de dezoito de janeiro do corrente ano, venho, embora descoloridamente mas possuído de sincera boa vontade, desimcumbir-me da dignificadora tarefa que me foi confiada.
Filho desta Canaã radiosa onde cantam primaveras sem fim, nascido sob a proteção imensa deste céu paradisíaco, é me sumamente grato significar aqui o transbordar festivo do meu contentamento, e a jubilosa alegria de todos os goianos cuja vontade está politicamente cristalizada nos órgãos de sua Soberania, um dos quais , o Poder Legislativo, a que tenho a honra de pertencer, cabe-me representar.
O auspicioso fato de hoje é o encaminhamento natural de uma formosa ideia essencialmente brasileira; ele obedece como que a um determinismo político-social que há mais de um século nos vem conduzindo para a finalidade máxima da nossa ambição patriótica: a mudança da Sede do Governo para o ponto central do País a fim de que o Progresso se irradie do centro para a periferia e haja o aproveitamento desse hinterland arquipontentoso e pagão, reserva fabulosa da grandeza que nos espera em futuro cujo alvorecer começa a dar matizes de ouro e pérola ao horizonte da nossa Pátria extremecida; e também para que os Poderes Públicos, fora do barulhar das turbas, livres do anarquismo, das comichões interesseiras e do mercantilismo cosmopolita das grandes cidades, possam, com suavidade e bem aplicada sabedoria, cuidar das altas cogitações nacionais, rumando para  a perfeição, em busca do beneficiamento geral da Coletividade.
Essa é uma ideia antiga. A sua história é conhecida e, por isso, não precisa ser recontada. Sabemos que ela germinou no cérebro dos Inconfidentes Mineiros em 1789; que fervilhou na cabeça evangelizadora do jornalista Hipólito José da Costa e na cabeça de José Bonifácio (o Velho), Linhares, Joaquim Caetano, Porto Seguro e outros. Amparada na República pela vivência da Comissão dos Vinte e Um Notáveis que tinha à frente nesse particular, Lauro Müller e João Pinheiro, passou, com aplausos gerais, a ser lei, ocupando o artigo terceiro da nossa Carta Política. Floriano, o imortal Consolidador da República, precavido e  voluntarioso, deu começo ao cumprimento do dispositivo constitucional, mandando demarcar no Centro Geográfico do País, a área de 14.400 Km quadrados, destinada ao futuro Distrito Federal.
Houve, depois, uma síncope de quase trinta anos nas providências conducentes a esse elevado cometimento.
Ultimamente temos visto pontificar na Imprensa, batendo-se pela nobre causa, entre outros, os escritores Gomes Carmo, Henrique Silva, Azevedo Pimentel...; é a Sete de Setembro de 1921, os Deputados Americano do Brasil e Rodrigues Machado, este aqui também representado pelo meu digno colega Gelmires Reis, apresentaram à consideração da Câmara Federal, o Projeto nº: 680, mandando lançar a Pedra Basilar da Capital da União no Planalto, no meio do dia Sete de Setembro de 1922. Esse projeto, depois de conquistar os pareceres favoráveis das comissões de Justiça e de Finanças, foi aprovado pelo Congresso e converteu-se no Decreto nº: 4.494, citado.
É esta, Senhores, a determinação legislativa que hoje estamos cumprindo. Raiou, feliz, a aurora do grande dia. Já assistimos à festa gloriosa de um amanhecer no Planalto; agora sob a pompa tropical de um sol criador e benfazejo, ao ciclópico da Natureza agreste destas regiões privilegiadas de nossa terra, presenciamos as cerimônias desta hora alvissareira.
Sursum corda! Erguei-vos, corações goianos! Elevai-vos corações brasileiros! Entoemos hinos de glória à nossa Pátria querida e cânticos de louvor à ação patriótica do grande Epitácio Pessoa, cuja permanência na suprema Magistratura do País vai marcando uma época que ficará na História como o maior padrão de Civismo, de liberdade e de capacidade administrativa destes últimos tempos!
Assim, pois, Excelentíssimo Senhor Deputado Balduíno de Almeida, Vossa Excelência que possui já um altar no coração de cada goiano, pelo muito que tem feito em prol da penetração da via férrea nas terras de Bartolomeu Bueno, queira, com os seus dignos companheiros, e como Delegado do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, receber as congratulações e as seguranças do mais profundo agradecimento do Povo de Goiás, que eu aqui trago, como Procurador do Congresso Estadual, e como Representante do Excelentíssimo Senhor Deputado Americano do Brasil, esse espírito iluminado e sadio, que tanto lustre tem dado à Bancada Goiana na Câmara Federal.
Essas congratulações eu as entendo ao ilustre Comissário do Excelentíssimo Coronel Eugênio Jardim, Benemérito Presidente do Estado {de Goiás}; aos Representantes do Exército e da Câmara Federal e todos os demais cavalheiros e excelentíssimas senhoras que neste momento abrilhantam e solenizam o importantíssimo acontecimento que nos trouxe a este famoso pedaço da terra brasileira.
Senhores! Concentremo-nos por um instante na contemplação deste nosso Brasil fidalgo e promissor! Passeemos o pensamento pelo seu passado de múltiplas e acidentais vitórias, pelo seu presente de assustadores progressos, e pelo futuro de formidáveis surtos de grandeza que lhe está reservada! Que vemos? Que apreendemos? Qual o resultado do nosso exame?
Vemos, sob as bênçãos da Constelação do Cruzeiro, a eclosão imensa de um povo que, aparelhado com as maiores possibilidades que se podem conceber, está destinado a assombrar o Mundo com o seu poderoso evolver em todos os galhos da atividade humana, em dias que não vêm longe!
Vemos uma Pátria que, acionada pela nobreza e sabedoria de seus filhos, marcha, com a vertiginosidade estonteadora dos astros vagabundos do Espaço, para um futuro de incalculáveis alcances, para uma era de bem-estar e riquezas!
Sete de Setembro! Eis-nos festejando pela centésima vez a data da nossa existência como Nação livre e constituída! Pela mente nos estão perpassando as figuras veneradas de Tiradentes, José Bonifácio, Pedro I, Gonçalves Ledo e tantos outros que se notabilizaram na construção da nossa Nacionalidade. E é hoje também que estamos dando começo à edificação da Futura Capital do País no coração de Goiás que, por sua vez, constitui as entranhas do Brasil! Dois fatos transcendentes: um cheio de sagradas evocações, outro verdejado das mais risonhas esperanças. No primeiro século decorrido, vimos civilizarem-se e engrandecerem-se as populações litorâneas; no segundo, que ora se inicia, veremos aproveitado todo o Interior gigantesco da Pátria, sendo a Cerimônia deste momento, o primeiro passo para a completa Integração da Unidade Nacional.
Eia! Brasileiros! Saudemos com entusiasmo a GRANDE DATA e deixemos cair nas planuras intérminas destas campinas viridentes o BRADO altissonante e vigoroso da nossa alma satisfeita e agradecida. Salve, oh Pátria idolatrada! Salve, oh Liberdade!!!


NOTA do historiador Xiko Mendes, membro da Academia de Letras e Artes do Planalto (sediada em Luziânia-GO) e da Academia Planaltinense de Letras (DF):
O texto que você acabou de ler faz parte do livro “Pela Terra Goiana”, autoria de Americano do Brasil, e que fora transcrito para as páginas 15 a 18 do livro “Apologia de Brasília”, organizado por José Dilermando Meireles, com a colaboração de Joaquim Gilberto, entre outros, e com edição patrocinada pela Prefeitura Municipal de Luziânia-GO.
O livro Apologia de Brasília foi publicado no início dos anos 1960 no contexto histórico da construção e inauguração de Brasília. E nunca mais foi reeditado. Agradecemos, aqui, ao já falecido historiador Paulo Bertran, que nos presenteou com um exemplar, todo amarelado, dessa raríssima obra prima do acervo nacional. O Deputado Estadual Evangelino Meireles, autor do Discurso acima citado, era goiano e nasceu em Luziânia 10 de fevereiro de 1882, segundo nos informa Antônio Pimentel, em seu livro “Fragmentos Antológicos dos Autodidatas de Santa Luzia” (Luziânia-GO, Edição do autor, 1992, p. 29-30).
Evangelino Meireles morreu precocemente aos 40 anos de idade, em 1º de dezembro de 1922, três meses após proferir o discurso que ora republicamos. Entre suas grandes realizações, Evangelino Meireles foi autor do projeto da estrada de rodagem ligando Vianópolis a Luziânia, Planaltina e Formosa durante a gestão do Governador João Alves de Castro. Foi também poeta e jornalista. Fundou em 6 de agosto de 1910 o jornal “O Planalto” que circulou até 10/11 de 1915, totalizando 186 edições. E a partir de 1919, com auxílio do historiador Gelmires Reis, iniciou a publicação do famoso “Almanaque de Santa Luzia”, atual Luziânia, sua terra natal.


Planaltina vista pelo Escritor Guimarães Rosa

Xiko Mendes (da APL)

Como se sabe, o escritor mineiro Guimarães Rosa (1908-1967), assim como Euclides da Cunha, Afonso Arinos e Bernardo Elis, é um dos magos intérpretes do Brasil profundo ou sertão indômito. Autor de obras conhecidas mundialmente como “Sagarana” e “Noites do Sertão”, Rosa é, sobretudo, conhecido pelo seu romance “Grande Sertão: Veredas”, publicado em 1956, ano em que o Presidente JK iniciou a construção de Brasília, modernizando o sertão ou “sertanejando” a modernidade para o interior. Rosa assim se refere a Planaltina antes de Brasília:

Gente boa, a do Ão, lugar de lugar. Senhor Zosímo, o fazendeiro goiano, desarmou desdém, reconhecendo que se podia gostar demais dali. Esse tinha feito a Soropita, a sério, uma proposta: berganhar aquilo por sua grande fazenda, dele, cinco tantos maior, em Goiás, fundo de rumo de Planaltina. (...). O Campo Frio, se chamava. (...). Senhor Zosímo era homem positivo, tinha sido de tudo, até amansador de cavalos, peão. (...). era mineiro também, arranjara aquela fazenda em Goiás por simpleza do destino” (In: Rosa, Guimarães. Noites do Sertão, 9ª ed., Rj, Editora Nova Fronteira, 2001, p. 41-42).


Esse texto é um trecho do conto “Lão-Dalalão ou Dão-Lalalão”. E precisaríamos fazer um rigoroso estudo roseano de arqueologia fundiária para localizarmos a fazenda Campo Frio, nos domínios do atual Distrito Federal, mas certo é que ficamos orgulhosos dessa citação em obra que exalta o talento literário de Guimarães Rosa, escritor que é Patrono da Cadeira nº: 32 de nossa Academia Planaltinense de Letras (APL).

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: O INTERNAUTA QUE COPIAR ESSE TEXTO, FAVOR CITAR OS AUTORES E A FONTE (blog da APL).