sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

POEMA SOBRE ESCOLHA DE CANDIDATOS NO BRASIL.




Véspera de Eleição no Interior

Xiko Mendes
 
Política em meu país é balcão de negócios.

E na cidade de LEXIKÓPOLIS discute-se

Quem deve ser o próximo prefeito.

Partidos e caciques se reúnem na calada da noite;

Tramam acordos nos bastidores,

Conspiram ao pé do fogão

E riem do povo nos fundos de quintal.

Tudo já está decidido: já sabem

Quem serão os candidatos a vereador,

E quais serão indicados para prefeito e vice,

Mas fingem para o povo, indiferente e omisso,

Que somos uma Democracia.

Somos, sim, uma democracia;

Porém, somos a democracia plutocrática:

Aquela em que o status e o poder são determinados

Pelo uso e abuso do poder econômico na eleição;

Somos a “democracia” dos compradores de voto.

Somos a “democracia” dos enganadores do Povo.

Somos a “democracia” dos eleitores coniventes.

Estamos em véspera de escolha dos candidatos.

Cada um mente mais que o outro e promete mais que o outro.

Nesse “vestibular da hipocrisia” quem perde é sempre o eleitor.

É o hospital ou o posto de saúde que não funciona;

É a estrada cheia de buracos no meio do caminho;

É a escola sem merenda, sem reforma e sem projeto pedagógico;

É a obra inacabada, mas com licitação fraudada por

Um bando de ladrões dos cofres públicos;

É o vereador que não vota a favor do Povo, mas

Sempre a favor do governo municipal que lhe dá propina;

Enfim, entre uma eleição e outra tudo se mantém como antes.

E o povo aplaudindo, sonhando, renovando esperanças...

E frustrando-se constantemente.

Mas enquanto esse povo não acordar e

Perceber que ele é sempre o bobo da corte,

Essa bela e histórica cidade de LEXIKÓPOLIS

Continuará anestesiada pela demagogia dos pilantras da Política.

O povo precisa conscientizar-se de que ele é o Sujeito da História,

É o ator principal no palco da Política.

Democracia sem emprego,

Democracia sem ética e liberdade de expressão,

Democracia sem participação popular,

Democracia sem justiça social,

Democracia sem educação e saúde dignas

Pode ser qualquer coisa,

Menos que seja o governo do Povo.

VIVA LEXIKÓPOLIS (!): a cidade onde a palavra

Ainda não é porta-voz de quem sonha, livre e soberano,

Nas praças, nas escolas, nas igrejas, na consciência e nas urnas.

 

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