segunda-feira, 1 de abril de 2013

XIKO MENDES (POESIA).


Sonhar ainda é possível

Xiko Mendes

Dizem alguns que sou muito sonhador.
É verdade.
Sem sonho não se fecunda a impossibilidade.
Sonhar o que se julga impossível é reaproximar
De nós a face intangível de Deus sob o manto da
Esperança sufocada na garganta dos pessimistas,
Dos invejosos e dos que, em vez de lutar,
Cruzam os braços apostando na inércia do Mundo
Como resposta à própria acomodação,
Indulgência e indolência,
Que são os antídotos de quem não se comove
Com a miséria da vida e se torna prisioneiro de
Uma existência medíocre e previsível.
Dizem também que uma pessoa que
Acredita nas próprias palavras é muito perigosa.
Concordo plenamente.
Hitler acreditou tanto nas palavras dele
Que quase destruiu o Mundo.
Por outro lado, Cristo e Mahatma Gandhi
Também acreditaram tanto no que eles
Disseram à Humanidade que
Semeou no Mundo um extenso vocabulário de utopias.
O Mundo é assim: Uma “Lexicosfera” onde
Cada palavra incorpora o Universo à dimensão do Nada
Ou à dimensão do Infinito.
Sonhar é espantar-se com as diversas possibilidades
De se fazer acontecer e surpreender-se transformando
O mistério da (re)descoberta de si mesmo e do Mundo
Como alavancas do sucesso nas fronteiras movediças
Dessa encruzilhada centrífuga que é a Existência Humana
Entre a cômoda decisão de ficar e contentar-se com o já feito
Ou a incrível vontade de percorrer as linhas do desconhecido
Em busca de algo que ninguém consegue para mim:
O direito supremo e inalienável de trilhar, oniricamente,
Todas as curvas do Universo, visitando todas as Galáxias,
Hospedando-me em todas as Constelações,
Vivendo aventuras dantescas em buracos negros,
E fixando todos os meus sonhos como poeira cósmica
Levada pelo vento e que permaneça em órbita
 Para que os pessimistas se envergonhem e digam:
Sonhar ainda é possível!”.
E mais do que possível,
Sonhar é estar sempre no Labirinto
Buscando caminhos novos e atalhos
Para que o Mundo se renove, continuamente,
E o Homem continue sua marcha inelutável
Em busca de si mesmo
Como Metamorfose Caótica em Universo Oscilante
Aprendendo Lições de Cosmologia Onírica.

P.S.: Quero esse poema publicado na próxima edição impressa do nosso jornal PLANALTINA EM LETRAS, que circulará em junho de 2013.

Um comentário:

APL disse...

Que assim seja!...