quarta-feira, 12 de junho de 2013



UM CONCEITO DE CIDADE

por Adenir Oliveira

A cidade se apresenta para nós como um conjunto integrado entre o espaço físico e suas atividades, valendo dizer: a moradia, o local de trabalho, o lazer, o sistema político, administrativo, econômico, etc., existentes nela e em seus prolongamentos. Os fatores intelectuais, políticos, religiosos, não são menos importantes que o fator econômico. Ora um, ora outro, ora simultaneamente podem ser vistos como tendo um efeito no desenvolvimento da cidade. Na verdade, as situações mais difíceis para análise são aquelas onde atuam diversos fatores em conjunto, frequentemente ao lado das condições internas e externas da própria cidade. Ainda é tarefa própria da análise da cidade: evidenciar as condições específicas sob as quais cada um dos possíveis fatores — ou vários, em conjunto influenciam realmente o seu curso de desenvolvimento. Vemos, assim, que os valores não são elementos a sarem descartados, nem mesmo a serem analisados isoladamente, a fim de se manterem separados do material empírico (físico), porém, elementos sempre presentes e manifestos, que permeiam a análise empírica de ponta a ponta.
Para melhor clareza observa-se que nem as condições em que se efetuam a produção, nem as relações geradas pela troca, são puramente instrumentais. São condições humanas e relações humanas que são valorizadas tanto quanto e, em certos casos, mais fortemente, que o consumo como fim. Nem, naturalmente, ao consumo simplesmente um fim dado. Por isso, acredita-se que a cidade é mais que um elemento. São vários atuando como força para sua existência no tempo e no espaço. Acredita-se, ainda, ser a cidade um organismo vivo de ações, reações e realizações do homem, entendida desta forma como todas as forças internas e externas geradoras deste organismo vivo e dinâmico.
O processo de conhecimento da cidade é ele próprio um estudo do aspecto humano, histórico, social, político, econômico, psicológico, etc., isto implica que ao estudar a vida humana, há identidade parcial entre o sujeito (homem) e objeto (cidade). Sendo o comportamento um fato total, as tentativas de separar seus aspectos “material” e “espiritual” não podem ser, no melhor das hipóteses, senão abstrações metodológicas, sempre implicando grande perigo para seu conhecimento efetivo.
É, pois, a transformação do natural no cultural, mais própria às necessidades da recriação de um espaço físico e da adaptação da paisagem às verdadeiras atividades de quem a utiliza ao longo do tempo. É, ainda, a expressão do coletivo através do mecanismo psicofísico.
Todo lugar, qualquer que seja sua dimensão ou localização no espaço, é um setor fisicamente urbano no qual estão situados edifícios e demais equipamentos - instrumentos que as pessoas utilizam para realizar suas atividades e aspirações, que são relacionados e dependentes entre si, assim como os situados entre outras localidades. Cada espaço físico urbanizado está rodeado por um território não urbanizado com predominância rural, o que impossibilita o estudo da cidade fora do seu contexto regional.
A cidade é um subsistema de um sistema maior. Mesmo assim, deixa-se bem claro que a cidade não é algo isolado e inerte: é, antes de tudo, o ambiente natural do homem livre e ainda permanece válido na medida em que o indivíduo encontra nas possibilidades, nas diversidades de interesses e tarefas e na vasta cooperação inconsciente da vida citadina a oportunidade de escolher sua vocação própria e desenvolver seus talentos individuais peculiares.
"É o palco da representação humana"

(Planaltina em Letras, Ano III, nº 11, p.2, janeiro/março-2013)



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